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Definição

A primeira dentição, ou dentição decídua, é vulgarmente denominada “dentição de leite” ou “dentição temporária”. A erupção dos dentes decíduos acontece durante a infância (normalmente tem início aos 6 meses e apenas está terminada por volta dos 2 anos) e fica completa quando é constituída por um total de 20 dentes: incisivos centrais e laterais, caninos e primeiros e segundos molares. No entanto, existem grandes variações no timing da erupção, existindo crianças precoces (nas quais os dentes surgem mais cedo) e outras tardias (em que os dentes surgem mais tarde), sendo importante que esta se faça de forma simétrica.

Esta dentição temporária é caracterizada por uma menor espessura de esmalte e por uma maior cavidade pulpar, o que faz com que a cárie dentária progrida mais rapidamente nos dentes de leite do que nos dentes permanentes. Além desta característica, também são mais brancos e mais pequenos.

Erupção

A erupção do primeiro dente decíduo (incisivo central inferior) dá-se, regra geral, perto dos seis meses de idade. Começa sempre pelos “dentes da frente” (dois incisivos centrais inferiores e dois incisivos centrais superiores) e é, geralmente, simétrica. A sequência de erupção está explícita na tabela que se segue:

Normalmente a erupção dos dentes de leite está associada a sinais e a sintomas. Destacamos a isquemia e a inflamação da mucosa gengival, a irritabilidade e a inquietação, a tendência para morder objectos, a hipersalivação reflexa e a hipersensibilidade da região.

Substituição

Os dentes definitivos que vão substituir os dentes de leite encontram-se em fase de formação dentro de ambos os maxilares (superior e inferior). Os primeiros dentes de leite caem normalmente entre os 6 e os 7 anos de idade (incisivos centrais e laterais), e continua até perto dos 13 anos (canino superior). Assim como a erupção, a substituição dos dentes decíduos pelos dentes definitivos também começa pelo sector incisivo (superior e inferior).

No entanto, é muito importante chamar a atenção para o facto de, por volta dos 6 anos de idade, erupcionarem os primeiros molares permanentes, que aparecem atrás dos últimos dentes de leite que a criança apresenta na boca. Estes dentes nascem sem cair nenhum dente de leite e, por isso, muitas vezes passam despercebidos aos pais. É extremamente importante os pais auxiliarem as crianças na escovagem, para detectarem rapidamente esta situação e ajudarem na prática da higiene oral.

Cuidados a ter na higiene oral

Os pais devem realizar a higiene oral aos seus filhos a partir do nascimento do primeiro dente de leite e até aos 7 anos (até essa fase a criança não possui destreza manual suficiente para o fazer sozinha). Numa fase inicial devem usar uma gaze húmida ou uma dedeira. Devem usar pasta dentífrica com 1000 ppm de flúor, numa quantidade proporcional ao tamanho da unha do dedo mínimo da mão da criança. À medida que a criança cresce, deve incentivar-se a escovagem em círculos em alternativa aos movimentos de vai-e-vem. As crianças devem ser instruídas a não bochechar com água após a escovagem com dentífrico fluoretado.

Importância

A existência de lesões de cárie não controladas e não tratadas numa criança tem diversas repercussões graves:

  • A criança que tem uma má saúde oral pode sofrer uma diminuição objectiva do rendimento escolar por ter dores, desconforto, por não conseguir estar atenta e ter um desempenho na sala de aula claramente abaixo das suas capacidades.
  • Pode ter alterações importantes nas relações com os pares, que assumem particular relevância no desenvolvimento físico e psicossocial numa faixa etária em que a criança é reconhecidamente crítica, e por vezes cruel, quanto à verbalização da imagem do outro.
  • Pode ter consequências a nível psicológico, uma vez que pode alterar a aparência e a auto-imagem das crianças.
  • Pode ter alterações na capacidade de mastigação (e consequentemente no seu estado nutricional), se a cárie afectar os dentes molares e a criança não conseguir comer alimentos frios ou um pouco mais duros.
  • Pode ter alterações na maturação da fala (com eventuais problemas de dicção), se houver perda precoce dos dentes da frente, particularmente dos de cima. Estes dentes são muito importantes na correcta fonação de algumas letras, sendo que a criança pode nunca ter uma capacidade de leitura (e escrita) exemplar.
  • Pode ter repercussões no desenvolvimento das estruturas esqueléticas e musculares da face e na manutenção do espaço para erupção dos dentes permanentes (ou definitivos). Este conceito de manutenção de espaço é assegurado através da preservação do órgão dentário, bem como pela realização de restaurações precoces e anatómicas dos dentes cariados. Estas condutas clínicas são consideradas pela literatura médica como tratamentos que, para além da necessidade imediata, se revelam imprescindíveis e profilácticos de futuras complicações ou agravamentos de alterações do foro ortodôntico.

Fontes:
Sociedade Americana de Odontopediatria (AAPD).
Mcdonald, RE e Avery, DR: Odontopediatria. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 2001.
Pinkham, JR. Odontologia pediátrica. México: Mc Graw Hill, 1996.