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Definição

A cárie dentária é definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como “um processo patológico localizado, de origem externa, que se inicia depois da erupção dentária, determina um amolecimento do tecido duro do dente e evolui até à formação de uma cavidade”.

Várias definições para esta patologia dentária foram sendo dadas ao longo da história, no sentido de se compreender melhor o fenómeno. Pode-se entender que a cárie dentária é uma doença infecciosa bacteriana complexa, transmissível, localizada nos dentes, que ocorre após a erupção dentária, provoca a destruição dentária através da acção de ácidos, é uma doença crónica com agudizações, é progressiva embora por vezes estabilize, apresenta uma etiologia multifactorial, podendo ser prevenida, e o seu tratamento é sintomático.

Etiologia (causas)

A cárie dentária apresenta uma etiologia multifactorial, o que significa que vários factores são necessários para que ocorra esta patologia. Dentro destes factores há uns que são essenciais – primários (somente se todos estiverem presentes se inicia e desenvolve a doença) e outros que são modificadores – secundários (influenciam mais ou menos significativamente a evolução das lesões de cárie).

Os factores primários (essenciais) são o dente (hospedeiro), os microrganismos (agente) e o ambiente (substracto). Os factores secundários (modificadores) são a higiene oral, a exposição ao flúor, o estado de saúde geral, factores socioeconómicos, a predisposição genética e os cuidados de saúde dentária.

Acerca dos factores primários (essenciais) há que considerar também as condicionantes inerentes a cada um deles, por exemplo, em cada hospedeiro há uma maior ou menor susceptibilidade à cárie, assim como uma determinada composição e produção da saliva mais ou menos protectora. Sabe-se hoje que a saliva tem um papel importante na prevenção e reversão do processo carioso, funcionando como uma das principais defesas do hospedeiro contra a cárie dentária. Relativamente aos microrganismos, sabe-se hoje que os microrganismos responsáveis pelo início da cárie fazem parte da flora normal da cavidade oral (Streptococcus mutans, Streptococcus sobrinus, lactobacilos e Actinobacillus actinomycetemcomitans), mas por desarranjos do equilíbrio habitual crescem em demasia e com as restantes condições favoráveis (do hospedeiro e do ambiente) tornam-se patogénicos, desenvolvendo doença. Também o ambiente tem as suas condicionantes, que se relacionam com a dieta do hospedeiro.

Assim, a frequência de ingestão de alimentos cariogénicos (ricos em açúcares refinados e hidratos de carbono), bem como o tempo de permanência na cavidade oral, são factores que propiciam o desenvolvimento da cárie dentária.

Progressão da cárie dentária

As bactérias cariogénicas encontram-se em pequenas quantidades numa placa saudável, mas com certas alterações biológicas e ambientais, tornam-se dominantes na flora oral. Estas bactérias cariogénicas fermentam açúcares provenientes da dieta para produzirem ácidos que baixam o pH do local (ácido). No meio ácido dá-se a dissolução do fosfato de cálcio existente na estrutura do dente (desmineralização), mas inicialmente esta dissolução pode ser revertida por remineralização. Se o pH ácido persistir como resultado de elevado número de bactérias cariogénicas, consumo sustentado de açúcares e baixo fluxo salivar, a desmineralização sobrepõe-se à remineralização e a superfície dentária amolece progressivamente até ao ponto de ruptura, criando uma lesão cavitária. Deste modo, a cárie dentária pode afectar: o esmalte (geralmente não há sintomatologia), a dentina (existe sensibilidade ao frio, doce e pressão) ou a polpa dentária (pulpite  dor intensa e aguda; dor em contacto com alimentos quentes ou mesmo espontânea, sem qualquer estímulo).

É importante salientar a importância do diagnóstico e tratamento precoces da cárie dentária, pois quanto mais desenvolvido estiver o processo patológico, maior será a implicação para o complexo dentina-polpa, havendo diminuição da resistência dos tecidos dentários, o que exige um procedimento restaurador mais extenso e complexo.

A cárie dentária e a idade

As cáries dentárias são um problema comum e, principalmente, prevenível, comum à população de todas as idades (crianças, jovens e adultos).

Nas crianças, as cáries sem tratamento podem causar dor. Para além disso, também podem causar diminuição de energia, faltas à escola e dificuldade de concentração, o que diminui o rendimento na aprendizagem.

Em idades precoces, assim que se dá a erupção dentária devem iniciar-se os hábitos de higienização oral, para prevenir cáries precoces da infância (geralmente relacionadas com o mau uso do biberão antes de adormecer com bebidas açucaradas até idades tardias).

As cáries são também um problema para muitos adultos, sendo mais ou menos prevalentes de acordo com a raça ou a etnia. Com o avançar da idade, as gengivas retraem, e a incidência de gengivite aumenta. A placa bacteriana começa, assim, a acumular-se mais perto das raízes dos dentes  estas estão cobertas de cemento (uma substância mais frágil e permeável que o esmalte), mais susceptível às cáries (bem como ao frio e ao quente), daí o frequente aumento da sensibilidade dentária com a idade.

Prevenção da cárie dentária

O “tratamento” mais eficaz para a cárie dentária é a prevenção. A prevenção começa nas idades precoces, com a instrução para os hábitos correctos de higienização oral e para a dieta não cariogénica.

Para prevenir o aparecimento de lesões de cárie deve-se:

  • Lavar os dentes pelo menos 2 vezes por dia com pasta dentífrica com flúor e uma escova de dureza média durante 1 a 2 minutos.
  • A técnica de escovagem mais correcta implica escovar todas as superfícies dentárias com movimentos circulares ou verticais e também o dorso da língua.
  • Usar fio dentário ou um escovilhão interdentário diariamente.
  • Comer e beber de forma saudável; evitar os snacks cariogénicos regulares.
  • Visitar regularmente o dentista para exame e limpeza; consultar o seu dentista para o possível uso de suplementos com flúor e para a utilização de selantes dentários para a prevenção de cáries. O flúor tem a capacidade de inibir a formação de cáries; contudo, deve ser usado com moderação, devido à sua toxicidade.

Tratamento da cárie dentária

Quando a cárie compromete apenas o esmalte e a dentina, o tratamento é cirúrgico e consiste na remoção da estrutura do dente afectado e na sua reconstrução com materiais que substituem a estrutura dentária perdida. Quando a cárie atinge a polpa dentária o seu tratamento é mais invasivo, implicando também o tratamento dos canais radiculares do dente previamente à reconstrução dentária.

A eliminação de tecido cariado é geralmente realizada por meio de instrumentos rotatórios no consultório dentário. Pode ainda ser realizada com auxílio de aparelhos laser, ultrassons ou meios químicos.

Fontes:
American Dental Association. Mouth Healthy: Decay. [Online]. 2012 [cited 2012 Nov 9]; Available from: URL: http://www.mouthhealthy.org/en/az-topics/d/decay.aspx
National Center for Chronic Disease Prevention and Health Promotion – EUA. Oral Health: Preventing Cavities, Gum Disease, Tooth Loss, and Oral Cancers. 2011.
Clinical guidelines for treating caries in adults following a minimal intervention policy—evidence and consensus based report. J Dent. 2012 Feb;40(2):95-105.
SIGN – Scottish Intercollegiate Guidelines Network – Guideline 83: Prevention and management of dental decay in the pre-school child; Available from: http://www.sign.ac.uk/pdf/sign83.pdf