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Definição e classificação

O bruxismo é uma actividade parafuncional do sistema mastigatório que inclui apertar ou ranger os dentes, ao nível subconsciente, onde os mecanismos de protecção neuromuscular estão ausentes, o que pode causar lesões no sistema mastigatório e disfunções temporomandibulares.1,2

A duração destes episódios é bastante variável, não apenas de pessoa para pessoa, como também no mesmo indivíduo.2 O período de “ranger dos dentes” durante a noite pode variar de 5 a 40 minutos. Durante a actividade parafuncional, a força exercida no contacto dentário pode ser superior (cerca de três vezes) relativamente à actividade funcional do sistema mastigatório, podendo causar o colapso das estruturas envolvidas.3

O bruxismo é uma das parafunções dentárias mais prevalentes. Este pode ser classificado como cêntrico e excêntrico.2,4

O bruxismo cêntrico consiste em manter os dentes apertados de forma contínua por um determinado período, observando-se uma destruição das estruturas de sustentação dos dentes, favorecendo também o aparecimento de problemas nos músculos da mastigação e nas articulações temporomandibulares.

No bruxismo excêntrico observa-se a contracção muscular isotónica e o desgaste dos bordos incisais dos dentes, principalmente na arcada anterior. Apesar de o bruxismo excêntrico ser caracterizado pelo desgaste dos bordos incisais dos dentes anteriores, nem todos os casos de desgaste dos bordos incisais dos dentes resultam desta actividade parafuncional, podendo estar associados a outros hábitos, tais como onicofagia (morder as unhas), morder objectos, entre outros.5

Alguns autores classificaram o bruxismo como diurno e nocturno, em que cada um apresenta causas diferentes. Ou seja, o bruxismo que ocorre durante o dia (Bruxismo Diurno) e o bruxismo durante o sono (Bruxismo Nocturno) são entidades clínicas diferentes, que surgem em diferentes estados de consciência e factores etiológicos, e, portanto, devem ser diferenciados, porque necessitam de diferentes planos de tratamento.4-6

Tratamento

O tratamento do bruxismo é variável, dependendo da etiologia, dos diferentes sinais observados durante o exame clínico e dos sintomas descritos pelos pacientes. Além disso, é importante fazer-se um diagnóstico diferencial.

O tratamento requer uma abordagem multidisciplinar, com a participação da Psicologia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, abrangendo aspectos dentários, médicos e psicológicos do paciente.1,2,6

O plano de tratamento deve atender aos seguintes objectivos:

  • Redução da tensão física e psicológica.
  • Tratamento dos sinais e sintomas.
  • Minimização de interferências oclusais.
  • Alteração do padrão neuromuscular habitual do paciente.

O ponto de partida do tratamento é a tentativa de diminuição do stresse psicológico por meio de exercícios de relaxamento, massagem e fisioterapia. Esse tratamento diminui os sintomas e não a causa, pois o hábito pode retomar sempre que o paciente tiver diminuído a sua tolerância a uma alteração oclusal.6

O tratamento específico para a dor muscular é acompanhado de métodos que interrompem o mecanismo do ciclo da dor, como a terapia do ponto de desencadeamento miofascial (spray de vapor frio), bloqueio anestésico, associado a modalidades fisioterapêuticas: exercício para restabelecer a função, massagem e calor profundo.6,7

A terapia oclusal pode incluir a utilização de goteiras. Esta diminui a sintomatologia mesmo que não tenha interrompido o bruxismo, pois pode actuar na articulação temporomandibular, induzindo o côndilo a posicionar-se correctamente na fossa condilar. A simples distribuição das forças mastigatórias é responsável pelo alívio dos sintomas.1

As goteiras podem diferir quanto ao material – rígidas ou resilientes – e quanto à estrutura que as compõe, como a espessura e extensão de cobertura oclusal. Assim, conforme a indicação terapêutica, as placas podem estabelecer diferentes relações intermaxilares.1,7

O tempo de uso varia de acordo com a complexidade do caso mas, geralmente, recomenda-se o uso nocturno por 45 dias, com manutenções semanais.1,7,8

Referências:
1. Okeson J. Management of temporomandibular disorders and Occlusion. Fifth Edit. St. Louis: Mosby;2003.
2. Mangili G, Ribeiro O, Leitão J. Contribuição para o estudo do Bruxismo. Apresentação de casos clínicos. [Tese de Mestrado Integrado em Medicina Dentária]; Universidade Católica Portuguesa. 2011.
3. Ditterich R, Rodrigues C, Shintcovsk R, Tanaka O. Bruxismo: uma revisão da literatura. Publ. UEPG Ci. Biol. Saúde, Ponta Grossa, 12 (3):13-21, 2006.
4. Kato T, Rompre P, Montplaisir J, Sessle B, Lavigne G. Sleep Bruxism: An Oromotor Activity Secondary to Micro-arousal. J Dent Res. 2001, 80(10):1940-4.
5. Strausz T, Ahlberg J, Lobbezoo F, Restrepo C, Hublin C, Ahlberg K et al. Awareness of tooth grinding and clenching from adolescence to young adulthood: a nine-year follow-up. J Oral Rehab. 2010; 37(7):497-500.
6. Sutin A, Terracciano A, Ferrucci L, Costa P. Teeth Grinding: Is emotional stability related to Bruxism? J Res Pers. 2011;44(3):402-5.
7. Aloé F. Sleep Bruxism Treatment. Sleep Science. 2009;2(1):49-52.
8. Pinto M, Ribeiro O, Leitão J. Perturbação do Sono e Disfunção Temporomandibular – Estudo Clínico. [Tese de Mestrado Integrado em Medicina Dentária]. Universidade Católica Portuguesa. 2012.